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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Sobre amantes e amigos

Há no relógio das relações humanas dois sentimentos que, embora distintos etimologicamente, coexistem num mesmo momento. Falo do amor e da amizade; ou de amantes e amigos. E por que duas palavras de origem tão diferentes e significados próprios parecem ser uma coisa só?
Amigo não é colega. Amigo é, antes de qualquer coisa, quem gostaríamos de ser. Alguém que nos preenche, nos completa, nos diz as coisas que precisamos ouvir. Amigo compartilha. Amigo doa. Amigo estende os braços a qualquer hora, em qualquer tempo. Amigo está presente mesmo estando ausente. Amigo ocupa o melhor cômodo do coração. Amigo é fiel. Amigo é para sempre. Amigo não é pai e não é irmão; mas pai e irmão podem ser amigos. Amigos, muitas vezes, são mais do que pais e irmãos. Amigos são nossos melhores amantes.
Amante não é um estranho. Amante é, antes de tudo, quem escolhemos para estar. Alguém que nos acolhe, nos repara, nos diz coisas aos ouvidos que nos fazem viajar. Amante reparte. Amante nos acalenta com seu corpo, nos perfuma com seu cheiro, nos possui e se deixa possuir. Amante nunca está ausente, pois que o trazemos impregnado em nossa alma e corpo. Amante ocupa todos os cômodos do coração. Amante pretende ser fiel. Amante deveria ser para sempre. Amante não é parente. Embora o laço que o amarra a nós possa ser de sangue. Amantes, muitas vezes, são tudo o que temos. Amantes são nossos amigos mais próximos.
Esses dois sentimentos, amor e amizade, são inseparáveis. Quando um morre, o outro morre também. Por acaso é possível sobreviver a amizade, digo a amizade original, após o fim de um amor? De outra maneira, é possível se ter amor por alguém que não estimamos mais? Ainda nos preenche como amigo alguém que não é mais amante? Queremos como amantes a alguém que não escolhemos estar?
Amigos podem ser amantes? No que tange a sexo, é uma possibilidade... Mas só dormimos com nossos amantes porque são nossos amigos. Alguém dormiria, de bom grado, com um inimigo? A amizade nasce primeiro porque é filha da empatia que, por sua vez, alimenta o amor. Mas de qual amor falamos? Amantes fazem amor porque o sentem. Amigos sentem o amor porque são igualmente amados, por isso, amantes.
E quando nos invade uma vontade descomunal de dormir com alguém que repartimos, até ali, só amizade? A resposta está em outra pergunta: Queremos fazer amor ou sexo? Amantes fazem amor. Amigos fazem sexo. Se queremos fazer amor é porque a amizade já não cabe sozinha na relação, sejamos amantes. Se for sexo o que queremos, melhor ainda que seja com um amigo, não é mesmo?
De um jeito ou de outro, amemos. Existe uma imensa possibilidade de não ser em vão.

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