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terça-feira, 6 de julho de 2010

AFORISMOS – FERNANDO CASAES

“Em toda perfeição, há em si pouquíssimas possibilidades”


“É muitas vezes no abandono que descobrimos a beleza de estar só!”


“Ninguém é verdadeiramente dono do próprio nariz, a não ser que habite num mundo totalmente isolado de tudo e de todos, pois quaisquer que sejam nossas decisões, mesmo as mais aparentemente individuais, envolvem direta ou indiretamente outras pessoas, portanto, embora tenhamos o livre arbítrio, nossas escolhas estão recheadas de informações e de dívidas para com o próximo.”


“Não tomamos decisões baseados em intuições; antes, somos levados a tomar pelas circunstâncias. As vozes que existem dentro de nós, que são as referências, nos impelem a decidir. Somos apenas os instrumentos de declaração de uma vontade que pertence a um todo construído dentro de nós.”


“Só nós mesmos somos responsáveis pelo que nos trás felicidade, na medida em que podemos estar dispostos ou não a determinadas ações do outro nesse sentido.”


"Deus, criador do céu e da terra, de tudo e de todos, criou o homem à Sua imagem e semelhança; este, por sua vez, réplica de Deus, criou Deus."


“Tolice dizer que aprendemos mais com a tempestade do que com a bonança, afinal, o aprendizado se dá em melhor conta com observações distanciadas de nós mesmos e de tudo ao largo, observações estas que exigem contemplação, ao contrário da utilização mecânica das experiências pessoais; estas nos fazem decidir, muitas vezes no pulo, enquanto que as outras nos fazem precisar.”


“Muito menos me vale um ponto de vista, visão ególatra; prefiro a vista de um ponto, algo mais participativo.”


“Chamaram-me ‘niilista’. Niilista eu sou, mas como tal, não estou bem certo se minha posição é absoluta. Melhor acreditar que minhas verdades morais se sustentam no vácuo.”


“Muita vez temos um pai e não temos nele um amigo, assim como a um filho que nos detém amizade ou ainda um irmão, que mesmo consanguíneo, não nos é afeiçoado. Já o amigo nós é tudo isso: Pai, filho, irmão... A amizade é a mais incisiva manifestação do amor.”


"Notícia ruim só chega primeiro quando quem a trás adora desfrutar de uma boa conversa fiada. Este tem mais interesse no assunto, para exercer sua tagarelagem, do que acudir propriamente àquele que foi noticiado."


"A morte nada mais é do que um banquete de vermes. Nada além disso."


"Perguntaram-me: 'Acreditas em alma?' Respondi: 'Só as que povoam as composições poéticas.'


"Já me angustiou muito o pós-vida; hoje me angustia mais a não-vida."

"Ao que maltrata ou ignora os animais um aviso: a dor que causas ao ser que não pode expressar-se verbalmente e, muita vez, defender-se, é proporcional à dor que sentes em tua alma. A dor do abandono de ti mesmo. Assim, antes de amaldiçoar as criaturinhas, expulsa de dentro do teu coração os fantasmas de tua repugnância. Sê feliz ao lado de um cão. Ele ser-te-á fiel e tu perceberás que, em verdade, é o animal não-humano o mais inofensivo e amoroso dos seres."

"A fragilidade feminina deve habitar o campo das aparências e nunca o das possibilidades..."

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Um Jovem amigo, de 15 anos, propôs-me uma questão: “É verdade que a música Back in Black do AC/DC é uma atrofia de Stairway to Heaven do Led Zeppelin?”
Eis minha resposta:

Caro Gustavo,

É um prazer poder tentar te ajudar na questão Back in Black do AC/DC versus Stairway to Heaven Led Zeppelin, no que tange a possibilidade do que você chamou de “atrofia” da primeira em relação à segunda.

Bem, primeiro vamos tentar entender o que é “atrofia” e se esta palavra pode ser usada na música, ok? Não vou citar, por motivos óbvios, o uso desta em questões médicas-físicas; mas há ainda o sentido figurado, e aí temos: Definhamento, degenerescência, decadência.

Querido novo amigo, parece que está claro, pela interpretação figurada da palavra “atrofia” que sua proposição não é correta. Não há uma relação de “definhamento” de uma música em relação à outra. Talvez você pretendesse usar a palavra “contração”, que quer dizer, entre outras coisas, o seguinte: Ato ou efeito de contrair (-se), encolhimento, diminuição, encurtamento. Em sendo esta a palavra substituta à “atrofia”, poderíamos pensar que sim; uma composição pode por várias questões, tais como: estéticas, sociológicas, mercadológicas, filosóficas, históricas, folclóricas, etc, “contrair” outra composição. Ocorre que, comparando-se as duas composições propostas, não há contração da primeira em relação à segunda.

Passemos, portanto, à outra questão: Mas há alguma relação entre elas? Vamos lá: Nas artes, como na vida, nada se cria, nada é genuíno. Tudo que há são observações acerca do mundo e suas possibilidades. São adaptações ou, melhor, nossas conclusões a respeito disto ou daquilo. Quando compomos – para ficarmos no mundo da música – não criamos absolutamente nada de genuíno, somos um somatório de influências, de aprendizados, de gostos, de referências. Então, poderia sim ser uma composição fruto da inspiração da outra.

Apenas poderia, porque não podemos precisar, já que não as compomos. E muitos morreriam negando até o fim que não se inspiraram neste ou naquele outro. Mas na música, tal qual na literatura, duas formas aparentemente distintas de artes, o traço de “inspiração” é mais facilmente detectável. Numa abordagem livre, eu diria que sim, a música do AC/DC indica, veja bem, indica uma “inspiração” na música do Led Zeppelin. Em literatura há um termo muito comum: “intertextualidade”, que quer dizer, grosso modo, a confecção de um texto com referências claras de outro ou outros dentro dele.

Seria possível a “intertextualidade” nas canções? Sim. Há muitos exemplos por aí... É então o que acontece em sua proposição acima? Não. Definitivamente, não. Mas há fragmentos de “interface”, ou seja, um conjunto de elementos comuns entre duas ou mais áreas de conhecimento, de interesse, etc. A canção do AC/DC parece “dialogar” mesmo que às avessas, com a canção predecessora de Led Zeppelin, canção esta que, segundo os críticos, só mesmo os dois autores da música, Jimmy Page e Robert Plant, seriam capazes de explicar o significado de uma letra tão complexa. E eu concordo! Toda e qualquer tentativa de interpretação da letra de “Stairway...” cairá no mar amplo das cogitações.

Mas do que falam as canções? Que interface poderá existir? Vejamos as letras em livre tradução para o português:

Entre parênteses, minha leitura do(s) verso(s)


Escada para o Céu (Stairway to Heaven)

Há uma mulher que tem certeza [que]
Tudo que reluz é ouro,
E ela está comprando uma escada para o Céu...(ela = morte? A morte parece oferecer uma “saída” para o céu em antagonismo com o inferno)
Quando ela chegar lá, ela sabe [que]
Se as lojas estiverem todas fechadas,
Com uma palavra ela pode conseguir aquilo pelo que veio.
E ela está comprando uma escada para o Céu...

Existe um sinal na parede
Mas ela quer ter certeza,
Pois você sabe, às vezes as palavras têm dois sentidos. (O que é céu e o que é inferno? Juízo de valores? “Você, que me escuta, sabe a diferença?”)
Numa árvore perto do riacho
Tem um pássaro canoro que canta,
Às vezes, todas os nossos pensamentos estão apreensivos.
Ooh, isso me faz pensar,
Ooh, isso me faz pensar...

Tem uma sensação que sinto
Quando olho para o oeste
E meu espírito está implorando para ir embora (a morte como alternativa)
Em meus pensamentos eu tenho visto
Anéis de fumaça através das árvores
E as vozes daqueles que permanecem olhando.
Ooh, isso me faz pensar,
Ooh, isso realmente me faz pensar...

E foi sussurrado que em breve,
Se nós todos invocarmos a melodia,
Então o flautista nos conduzirá até a razão. (Se aceitarmos as regras, seremos salvos pelo flautista (Deus?))
E um novo dia vai amanhecer (a redenção)
Para aqueles que resistem há muito tempo,
E as florestas vão ecoar com risos...

Se tem um tumulto na sua cerca
Não fique alarmado agora,
É apenas uma limpeza de primavera para a rainha de Maio.
Sim, existem dois caminhos que você pode seguir,
Mas no final das contas,
Ainda há tempo para mudar a estrada em que você está. (o livre arbítrio)
E isso me faz pensar...

Sua cabeça está zunindo e não vai passar,
No caso de você não saber
O flautista está te chamando para juntar-se a ele.(flautista = Deus ?)
Querida dama, você consegue ouvir o vento soprar? (dama = vida)
E você sabia [que]
Sua escada jaz no vento murmurante? (a vida esvai-se)

E enquanto nós damos voltas descendo pela rua,
Nossas sombras mais altas que nossas almas,
Por lá caminha uma mulher que nós todos conhecemos,
Que brilha com luz clara e quer mostrar
Como tudo ainda transforma-se em ouro. (a lua (mulher com luz clara) “transforma-se” em ouro (sol) Transmutação entre a noite e o dia. O escuro pode se tornar claro. As trevas podem se tornar o paraíso.)
E se você prestar atenção muito atentamente,
A melodia chegará até você finalmente. (Você será “convencido”)
Quando todos serão um e um será tudo, (a unidade de Deus)
Para ser uma pedra e não rolar. (a imobilidade como resultado final. Aqui a marca do deboche.)

E ela está comprando uma escada para o Céu...(e ela “ainda” quer me convencer de que lá é melhor.)


De Volta ao Preto (Back in Black)

Eu fui dormir
Estive longe por muito tempo (estive ausente, morto para o mundo)
Estou contente por estar de volta, sim (mas agora estou de volta à vida e feliz.)
Estou me libertando do nó corrediço
Que me manteve pendurado até agora
Continuo olhando para o céu (uma possibilidade distante e
Porque isto está me animando com um novo sentido)
Esqueça o carro fúnebre
Pois nunca morrerei (o apego à vida, a recusa em morrer.)
Tenho nove vidas, olhos de gato
Maltratando cada um deles e correndo selvagemente

Porque eu estou de volta (Voltei à vida)
Sim, eu estou de volta
Bem, eu estou de volta
Sim, estou de volta
Bem, eu estou de volta, de volta
Eu estou de volta de preto
Sim, de volta de preto (votei à vida, mas ainda trago a morte, o luto.)


De volta num banco de trás de um Cadillac
Número um com uma bala
Sou um pacote de poder
Sim, eu estou numa peleja com a banda
Eles terão que me pegar se quiserem me pendurar
Porque eu estou outra vez seguindo o rastro
Estou combatendo o fogo aéreo
Ninguém vai me pegar em outra armadilha
Então olhe para mim agora
Estou apenas fazendo meu jogo
Não tente forçar sua sorte
Simplesmente saia do meu caminho (Morte, não me venha agora. Quero viver. Não se imponha a mim. Eu te rejeito.)

Porque eu estou de volta (voltei a viver)
Sim, eu estou de volta
Bem, eu estou de volta
Sim, estou de volta
Bem, eu estou de volta, de volta
Eu estou de volta de preto
Sim, de volta de preto

Longe de vista!!


Bem, Gustavo, está bem clara a interface, não é mesmo? Uma canção, a do Led Zeppelin fala de “alguém” que sente o impulso pela morte e “namora” com esta possibilidade usando metáforas como “Deus Flautista” ou “lua e sol” e ainda questões filosóficas e religiosas para servirem de argumentos ao seu aparente impulso que o levará às escadas que se apresentam para o paraíso. Mas ao terminar, tudo nos leva a crer que ele, o “alguém”, na verdade não pensava em morrer e que estava o tempo todo debochando dessa possibilidade, já que a morte significaria, dentro de todos os juízos colocados, a imobilidade perene. Ele diz textualmente que morrer não é ser livre, é encontrar no “paraíso” (ou no inferno) um “deus” que na verdade é de pedra. A canção nega a morte como sendo redentora. Como aproximação de algo divino. Fantástico, não é mesmo? Filosofia pura na veia!

Já na canção do AC/DC a coisa rola um pouco na contramão. Alguém que estando “morto” quer voltar a viver. Apega-se às novas oportunidades que a vida pode proporcionar. E ele rejeita severamente a morte, mesmo se recusando a abandonar o preto como sua cor, afinal, ele voltou e está feliz. É uma canção muito mais simples, quase nada mesmo de metáforas, até certo ponto, pobre em comparação à anterior, mas que como interface a uni-las, a questão da morte e a negação às coisas naturais, enquanto ordens.

Volto a lembrar que minha leitura é livre e não é, por isso mesmo, detentora de qualquer “verdade”; mesmo porque, se houver uma verdade legítima na interpretação das letras acima, ela de certo pertence aos seus autores.

Gustavo, alonguei-me muito, não é mesmo? Mas o seu questionamento, embora pudesse não parecer, foi interessante e inteligente e, penso, merecia uma resposta razoável.

Forte abraço, amigão!

Fernando Casaes

quinta-feira, 20 de maio de 2010

O crítico e a poeta

À crítica não cabe emoção. Há de se ter absoluto distanciamento do objeto a ser analisado para efeito de formulação de crítica. Pois bem, assim deve ser a coisa; ou deveria ser... Diariamente sou confrontado com alguns textos, quer sejam jornalísticos, literais ou informativos, mas o bichinho que habita em mim, o bichinho que lê procurando os contornos, as nuances do texto, esse sempre acha aqui e ali o quê criticar. Já há em mim esse movimento compulsivo de ler não sou com os olhos despreocupados, mas antes com os olhos inquisidores de quem procura um único motivo para condenar. A crítica não condena e nem absolve; a crítica comenta, confabula, argumenta, compara, expõe, propõe, erra, acerta... Eu olho já buscando o peso do cárcere. Estou aprendendo ainda. Há muito de minha personalidade autoritária e nem um pouco complacente na minha crítica literária. Estou errado, assumo... Mas ao menos já sei disso e buscar o distanciamento devido e desejado é muito mais fácil quando já sabemos de onde partir.

Quando por ventura dou com os olhos em algum texto que desperta vivamente minha atenção, seja pelas imperfeições, seja pelas qualidades estéticas, sinto-me realizado. Pago a conta das horas que passei a folhear páginas e páginas de textos de todas as formas e origens. Nas imperfeições busco as tessituras que seriam adequadas na minha nada humilde opinião. É como reconstruir, tijolo por tijolo, uma casa erguida no universo das boas intenções, mas disforme pela ausência de capacitação de seu construtor. É muito bom achar textos assim, tão ruins que chegam a dar prazer só comparável ao gozo de uma relação. Porque reconstruir, mesmo que à parte, mesmo que oficiosamente, mesmo que secretamente em um pedaço de papel que ficará seguramente esquecido na gaveta, preenche meu pequeno grande ego.

E o que é o crítico afinal se não o cara que se coloca além do bem e do mal e pode tudo porque é dele o papel da crítica. Ele veio para aplaudir ou destruir e por mais que reneguem, na verdade, todos esperam seu veredito para depois enaltecê-lo como grande crítico ou achincalhá-lo como pedante e coisas do gênero. É duro o ofício. Mas e daí? É o jogo que deve ser jogado.

Acontece também o encontro com textos deliciosamente adequados. Textos que, ao contrário dos que pedem reconstrução cuidadosa, estão absolutamente prontos para serem saboreados pelas retinas dos mais variados públicos. Aí também tenho orgasmos, porque ao procurar as imperfeições e encontrar novas proposições estéticas ou mesmo que as usuais, novas leituras, travo um combate voraz com esses textos, torno-me mais rigoroso quando percebo que o texto é bom e ao me aprofundar na análise à procura de um senãozinho, mais me encanto, mais me sublimo, mais me rendo àquelas linhas. Adoro ser derrotado por um bom texto. E assim se deu com a poesia de Mariana Arnoso. Mesmo já tendo retocado aqui e ali, mesmo tendo ganhado algumas batalhas, ainda assim, a beleza juvenil, a leveza, o descompromisso, a linguagem atual e atuante e, mais do que tudo, as inovações estilísticas, me derrotam a cada nova leitura. É um jogo que marco um tento aqui, outro ali; digo: “Aqui ela errou a mão”, mas que ao final, saio do estádio com uma sonora goleada pelas ventas.

É quando a emoção toma a veia fria do crítico. Quando leio a poesia de Arnoso, penso na expressão do rosto dela, em suas mãos rabiscando o papel, buscando um novo efeito. Penso no seu sorriso furtado de um querubim, nas suas inseguranças de uma quase-menina, nos desconsertos já alardeados por ela sobre a sua vida, no seu andar jogado, passos trôpegos, indecisos... Não há como não falar a emoção. Por mais que eu busque o distanciamento, por mais que eu almeje a isenção crítica, por mais que eu diga: “Mariana, entre nós, só arte!”, ainda assim ao deliciar-me com sua poesia, não consigo apartar de mim a Mariana; a Mariana que habita em Mariana Arnoso, a poeta. Quero muito que ela vença, indico o caminho, aponto possibilidades, quase me projeto na sua obra, mas muito nessas horas não é o crítico quem fala, mas o homem por detrás do crítico. E não se separa um do outro. Quando isso se dá, a crítica perde a função. Perde mesmo a sua identidade. Corro esse risco. Sempre acho que no final conseguirei retomar a idéia original e buscar o foco. Mariana Arnoso, a poeta, merece e merece muito que minha crítica e somente ela, fale por mim. Depois, quem sabe, poderei pretender ter de Mariana, a mulher, uma poesia só para mim. Um olhar mais aprofundado dessa que é, antes de ser uma mulher linda e extraordinária, uma poeta bem acima da média em sua produção artística. O tempo dirá se estou certo ou errado. Se agi com independência ou se já os transtornos do desejo falaram por mim. De qualquer forma, em Mariana, o meu lado é o lado dela. Minha rua é a rua dela. Minha praia é a mesma praia dela. Não pego onda como ela, mas não ficaria tão mal sentado na areia apreciando o pôr do sol enquanto Mariana desliza carregada de poesia pelas espumas dos mares do sul.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

E para quê servem as disciplinas escolares, afinal?

Bem, nunca fui bom aluno; mas para isso tenho em Einstein um bom consolo. Sempre fui mediano (ou medíocre?) e tirava quase sempre a nota que precisava para não repetir o ano letivo (algumas vezes não deu certo!). Já crescidinho e depois de muitas leituras e observações, cheguei a uma conclusão – muito minha, é verdade! – sobre a real necessidade de todas aquelas disciplinas básicas e rotineiras que fomos obrigados a engolir na escola. Elas servem exclusivamente para a conquista da(o) parceira(a) e o consequente acasalamento. É claro que educador nenhum vai admitir isso, mas eu sou educador e admito, portanto, vamos à explicação:

Matemática: Serve para o indivíduo analisar as simetrias, os volumes, as curvas, os traços e depois calcular as despesas com os encontros, como o tradicional chopinho, o tira gosto, o motel, as flores (ainda mandam flores depois da primeira transa?).

Obs: No caso das meninas, acrescentemos os preparos estéticos. Quanto vai custar o blush da moça da novela, o batom da Avon e aquele vestidinho da vitrine...? Hummmm! E em cada continha a pergunta: Será que ele vale quanto me custa?

Português: Pô, se o indivíduo não souber “desenrolar” bem, não vai... Tem que ter bom papo, saber falar, se expressar.

Obs: No caso das meninas, é fundamental que entendam de análise do discurso, literalmente. Certo poder de síntese também é bem-vindo, para não se expor muito, não entregar o ouro de cara para o bandido...

Química: Essa é fácil! Sem química fica complicado. Não rola. São peles, suores, fluídos intracorpóreos, odores... Tudo deve casar direitinho.

Obs: Para as meninas, sugiro que estudem mais a fundo perfumaria, assim elas poderão dizer com firmeza: “Esse perfume na sua camisa é tal e quem usa é uma vagabunda muito muquirana. Por que você fez isso comigo?”

Física: Tem uma galera que apela e costuma dizer: “Quando não vai na química, vai na física mesmo!” Mas tem também o lance do desempenho com a aplicação da lei do menor esforço (com o melhor resultado, se possível!). Tem a lei da atração. Tem a da gravidade que diz que “tudo que sobe, desce.” E tem aquela que diz: “Dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo.” Contestável. Já ouvi cada coisa! Temos que conhecer os mistérios da física.

Obs: As meninas devem se interessar, principalmente, pela pegada; pela mecânica da coisa toda. Grosso modo, os meninos são pela execução e as meninas pela construção.

Educação Física: Bem lógica: Preparo físico é tudo! Também conhecimentos de anatomia humana são bem-vindos...

Obs: Meninas precisam saber quanto valem um bom bíceps, peitoral, coxas, glúteos e panturrilhas.

Biologia: Essa é uma das mais importantes porque conhecer a vida como um todo e suas manifestações, dá ao indivíduo um mar de possibilidades no outro. Sabe-se, por exemplo, o que esperar do corpo, quais os resultados... Saber que DST não é a sigla de um partido político, por exemplo.

Obs: As meninas devem entender todo o funcionamento do seu corpo na hora do boi beber água. E, principalmente que, depois de nove meses a gestação dá sinais de vida.

História: Tem a ver com cultura. Ter um bom papo nos intervalos. Saber vários assuntos, ser “antenado”. Nada pior do que na hora da onça procurar sombra, não ter o que dizer... Ficar lá, paradão, olhando para o teto e/ou tirando meleca.

Obs: Meninas precisam entender o que o cara fala. Discernir entre História e historinhas...

Geografia: O indivíduo tem que saber se orientar, precisar onde está, aonde quer chegar com aquela coisa toda... E mais, em que direção fica o motel mais próximo.

Obs: Para as meninas é fundamental um profundo conhecimento de topografia, para saberem bem em que terreno estão pisando.

Artes: Tem a ver com cultura também. Basicamente, dar mais valor à literatura para falar coisas bonitas; à música para saber exatamente o que cantar; o teatro, para bem representar; o cinema, para o climão; as artes plásticas, para desenvolver acuidades; enfim...

Obs: Para as meninas, conhecer arte é uma forma de autodefesa contra todas as “más intenções” deles.

Bem, dito tudo isso, o que vocês acham? Estou certo ou não? Na verdade, pouco importa... Acho que fazemos tudo isso instintivamente.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

O buraco negro da alma

Minha alma (eu já acreditei em alma!) jaz em um grande buraco ou, não sei ao certo, um imenso buraco adormece em minha alma. A dor causada pela não realização do que poderia ter sido mesmo quando se sabia que nunca seria, é indizível. Preferia a dor da decepção por ter apostado no que parecia ser certo. Ao menos teríamos vivido as tentativas com esperança. Mas não há como erguer muros no vento.
Amar é um verbo extremamente ingrato.Só deveria ser conjugado de comum acordo com outro amar, por exemplo: "Nós nos amamos" ou "Eles se amam". Todos os outros pronomes deveriam ser abolidos por trazerem em si, no trato com o verbo amar, um certo egoísmo; uma individualidade franciscana sem a preocupação com o retorno. Pô, o que é amar sem ser amado? Absolutamente nada...Melhor, sofrimento. Não tenho esse desprendimento. Não consigo dar e não receber. Quer dizer, às vezes acontece. Já aconteceu... Dói muito.
Levando em consideração que alma existe, que alma sofre, que alma permanece, a minha está seriamente chamuscada. Tomou um bafo quentíssimo de desprezo pela cara adentro. Na verdade, estou sendo injusto um pouco, já que o objeto desse meu amor nunca foi um porto aberto à nova atracação. Tudo estava bem claro desde o início. Mas o maldito amor, além de impulsivo e teimoso ao extremo é cego como uma toupeira. Quem paga a conta? Se eu fosse um romântico diria: "o coração paga a conta", como sou romântico e já sei a resposta, vou tergiversar e como cachorro correndo atrás do próprio rabo foi dar ao tempo o cansaço merecido. Quem sabe no esquecimento encontro uma versão menos "Irmão sol, irmã lua".

domingo, 9 de maio de 2010

Mariana Arnoso, a nova luz da poesia.

Mariana Arnoso, a nova luz da poesia"

Conheci essa jovem poeta num bar da Lapa. Não foi difícil notar a sua energia contagiante, o seu amor pelas artes, como teatro, música e poesia, em especial. Conheci a sua produção textual e fiquei ainda mais encantado. Sua poesia flui límpida, numa linguagem moderna até mesmo nas gírias e contrações de vocábulos dentro da onda do "internetês". São versos que falam de dúvidas e decisões de uma menina que urge se encontrar em um meio aparentemente hostil, meio sempre presente no mundo teen.

Mariana tem muito talento. Mariana quer ser grande. Mariana pensa poesia como pensa teatro e música. Mariana quer juntar tudo numa coisa só. Mariana caminha em nuvens. Mariana, não tenho dúvida alguma, será uma estrela naquilo que se propõe ser.

Se antes os caminhos pareciam tortuosos, empoeirados, eis que surge agora um novo horizonte, repleto de possibilidades.

À luta, querida Mariana, estarei contigo em todas as frentes.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Bem-vindo ao mundo dos blogueiros, Casaes!

Começar aquilo que nem mesmo sei o que é? Mas começar o quê, exatamente?

Preciso criar lista de prioridades...

Primeira: Saber responder as duas perguntas acima.

Segunda: Respondidas, definir o que estará exposto aqui.

Terceira: Definido, providenciar o material.

Quarta: Providenciado, avisar aos meus bons e caros companheiros que estou com um blog.

Quinta: Avisado, começar a roer as unhas dos pés (sim, um ex obeso pode!) na expectativa de que virão ver o que resolvi colocar neste espaço.

Sexta: Lapa!

Sábado: Lapa!

Domingo: Aceito sugestões para não dizerem que o espaço não é democrático.